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O fenômeno de ver flores murcharem e caírem sem formar fruto é tecnicamente chamado de abortamento de flores ou falha no fruit set. Embora existam diversos fatores, a ciência aponta dois culpados principais quando a nutrição mineral está em dia: o calor excessivo e a ausência de polinizadores.
1. O "Inimigo Invisível": Estresse Térmico Crônico
Muitas vezes, pensamos que o estresse térmico só ocorre quando a planta murcha visivelmente. No entanto, Sato et al. (2000) demonstraram que mesmo um calor "moderado", mas persistente, é suficiente para sabotar a produção.
O Estudo: Pesquisando tomates (Solanum lycopersicum), os autores observaram que temperaturas altas - mesmo sem chegar a níveis letais para a planta - reduzem drasticamente a frutificação.
A Causa Fisiológica: O problema ocorre muito antes da flor abrir. O calor afeta o desenvolvimento do pólen (microsporogênese). O tapete (camada de células que nutre o pólen) sofre degeneração precoce, resultando em grãos de pólen inviáveis ou em quantidades insuficientes.
O Resultado: Sem pólen funcional para germinar no estigma, não há fertilização. A flor, "percebendo" que não cumprirá sua função reprodutiva, é descartada pela planta para poupar energia.
2. O Papel da Polinização
Se o pólen está saudável e o clima está ameno, por que ainda há falhas? Aqui entra o trabalho de Klein et al. (2007) sobre a importância dos polinizadores.
O estudo revela que 87 das principais culturas de alimentos do mundo (cerca de 35% da produção global de alimentos) dependem, em algum grau, da polinização animal.
A Paisagem Importa: Klein e sua equipe destacam que o isolamento da plantação em relação a áreas naturais reduz a riqueza e a abundância de polinizadores. Se o "serviço ecológico" de transporte de pólen falha, o fruto não inicia seu desenvolvimento.
Qualidade, não apenas Quantidade: Mesmo em plantas autógamas (que se polinizam sozinhas), a presença de polinizadores pode aumentar a taxa de sucesso e a qualidade do fruto final. Sem eles, a taxa de fertilização cai abaixo do limiar necessário para sustentar a flor na haste.
Como Aplicar Isso no Campo ou na Pesquisa?
Se você está lidando com esse problema, a solução exige uma visão sistêmica:
Monitoramento Microclimático: Não confie apenas na temperatura média. Picos térmicos durante a fase de diferenciação floral são fatais para a viabilidade do pólen. O uso de telas de sombreamento ou irrigação por nebulização pode ajudar a reduzir a temperatura do dossel.
Restauração de Serviços Ecossistêmicos: Manter bordaduras com flores nativas e reduzir o uso de defensivos nos horários de visitação de insetos são estratégias vitais para garantir que o trabalho de polinização descrito por Klein et al. ocorra de fato.
A produtividade não depende apenas de adubo e água. Ela depende de conforto térmico e biodiversidade. Proteger as matas ao redor da lavoura para atrair polinizadores e utilizar técnicas que diminuam o calor extremo nas plantas (como o plantio de árvores de sombra ou irrigação estratégica) são as chaves para garantir que a promessa da flor se torne a realidade do fruto.
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